HistóriaConheça um pouco a história de luta pelos trabalhadores

O Sintracom SBC-DMA foi fundado em 17 de janeiro de 1933, menos de 50 anos depois do fim da escravidão. São Bernardo do Campo não passava de uma vila onde fazendeiros do entorno focavam a atenção na mão de obra de imigrantes, que traziam algum ofício na bagagem, principalmente a marcenaria. Por volta dos anos 1920, a chegada da energia elétrica e a construção da ferrovia São Paulo Railway (Santos-Jundiaí) impulsionaram o

 desenvolvimento da região, principalmente do setor moveleiro. No entanto, o primeiro registro industrial do ABCD foi de uma fábrica de móveis, em 1955, de propriedade de João Basso.

As primeiras manifestações e paralisações de trabalhadores datam de 1926, quando não existia sindicato local. Com a Lei do Trabalho, criada em 1931 pelo então governo de Getúlio Vargas, os trabalhadores começaram a se organizar.
Foi no auditório do cinema de José Pasin, na rua Marechal Deodoro, que uma assembléia de trabalhadores elegeu a primeira Diretoria do Sintracom. O ano era especial porque ainda ecoava o sonho da Revolução de 1932. Seis meses depois da criação da entidade, os sindicalistas já empunhavam bandeira por reajuste salarial dos diaristas e por uma tabela unificada por profissões. Aconteciam as primeiras luta e vitória, pois as reivindicações foram atendidas e um acordo foi firmado entre patrões e trabalhadores.

Primeira greve


O dia 22 de agosto de 1934 entrou para a história. Os marceneiros entraram em greve e paralisaram as 18 fábricas de móveis da cidade. A paralisação durou 53 dias. Apesar de longa, árdua e difícil, a luta compensou. Os patrões tiveram de acatar a tabela de valores dos salários do Sindicato, a jornada de oito horas diárias e ao final da greve, o dono da fábrica de móveis de São Bernardo, Ítalo Setti, vendeu a fábrica a 105 trabalhadores. Surgia a primeira cooperativa de móveis de São Bernardo. 

No ano seguinte, outras três cooperativas: São Luiz; São Bento e Santa Terezinha, apareceram no cenário. Em 1935, uma nova greve foi crucial porque o fracasso do sindicato nas negociações levou ao esvaziamento da entidade. A sede ficou fechada por três anos e as atividades sindicais ficaram concentradas na casa de Arthur Corrad, membro da primeira Diretoria. 

A retomada

O sindicato abriu novamente as portas em 1943, início da Segunda Guerra Mundial. Vale ainda lembrar que em novembro de 1937 Getúlio Vargas, utilizando-se de um golpe de estado apoiado por militares, instaurou o regime ditatorial conhecido como Estado Novo e dentre atos autoritários, constavam intervenções em diversos sindicatos.  

Além da necessidade de reconhecimento do sindicato por parte do Estado, a legislação estabelecia a unicidade sindical. Ou seja, poderia haver apenas um sindicato por categoria em determinada base. Além disso, em julho de 1940 foi instituído o imposto sindical compulsório e três anos depois, a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) chegou por decreto.  

A fundação de sindicatos oficiais, a criação do imposto sindical e a política populista de Getúlio Vargas estimulavam o surgimento dos chamados pelegos, em analogia à manta que se coloca entre a sela e o cavalo, instruídos a amortecer o choque entre patrões e empregados. 

Crescimento

Em 1941, a entidade foi denominada Sindicato dos Oficiais Marceneiros e Trabalhadores nas Indústrias de Móveis de Madeira, Junco e de Vassouras de São Bernardo e em 1950 alterou novamente para Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de São Bernardo do Campo. Com a emancipação de Diadema em 1961, incorporou o nome do novo município.